Mandamento 4: honrar AVISO de pai e mãe

junho 27, 2010

“Toma cuidado no trânsito que depois do jogo do Brasil tem sempre uns bêbados dirigindo que nem louco por aí” – Meu pai, dia 20/06/10, capítulo 4, versículo 3.

Essa é uma daquelas frases que não é aviso, mas rogação de praga pra você não sair de casa. Aquelas do tipo “Leva casaco que vai fazer frio” com um calor de 40 graus lá fora. E aí faz frio. Muito. E você morre congelado só para eles falarem “Tá vendo, eu avisei que ia fazer frio”. Se sua mãe pedir para você não esquecer de levar um cabide um dia, não esqueça. Pode ter certeza que no meio do caminho vão te sequestrar e sua única chance de sobrevivência vai ser desmontar o cabide para enforcar alguém. Algo meio MacGyver.

Para começar essa história toda, voltemos alguns dias. Jogo Brasil x Costa do Marfim em pleno domingão. Todo mundo marcando churrasco, almoço com a família, barzinho pra tomar umas. A Copa do Mundo é legal porque todo mundo vira patriota e se fode de verde e amarelo indo torcer em lugares que você não assistiria uma partida do seu time, por exemplo. É muita gente dando palpite sobre coisas sem relevância. O que eles não entendem é que é Copa do Mundo, caraio. Só acontece de 4 em 4 anos e o mandamento principal é todo mundo ficar quieto, ouvir o Galvão Bueno narrar e pronto.

Mas eu me saí razoavelmente bem. Não fui obrigado a sair com a família, porque assisti na casa de um amigo. Comi uns petisquinhos, mas não bebi nada, porque tava dirigindo. Aquela propaganda de “se beber não dirija” tem alto poder de impacto em mim. Não curto sair por aí achando que não tem outras pessoas no trânsito e eu posso fazer a merda que eu quiser. Mas beleza, isso não vem ao caso agora.

Depois do jogo terminado, ainda ficamos mais um tempo conversando na casa dele e resolvemos sair pra jogar um futzinho no domingo à noite. E eu, que nunca dou carona pra ninguém por preguiça, fui o escolhido da vez pra levar todos pro fut. Aí você já sabe… passa na casa de um pra pegar meião, vai na casa do outro porque tá sem chuteira e vira chofer por 1 dia rodando a cidade. Como estávamos em 6, tivemos que ir em 2 carros.

Como meu grande sonho é por um puta golaço meu no Youtube pra ver se algum time quer me contratar (Bruno, volante, 23 anos… tô aí pra ajudar o time a conquistar os 3 pontos e fazer o que o professor pedir), levei minha filmadora.  Nessa, o protagonista dessa história resolveu começar a filmar no carro mesmo. Campeonato de arroto, merdas cotidianas e a constante tentativa de atacar um ovo no carro do amigo que estava no outro carro. Como muitos falam que eu minto em todas as histórias, esse aqui tem até um vídeo provando que é verdade. Assistam aí embaixo.

O legal do vídeo é ver um 😀 passar pra 😦 em questão de segundos hahahaha.

Como deu pra perceber, um filho de uma quenga bateu no meu carro. Quando eu digo que essas merdas só acontecem comigo ninguém acredita. Não era pra eu ter ido de carro e muito menos ser o motorista. Bem no dia que eu saio, um filho da puta faz uma merda dessa. Pra vocês entenderem o acidente: o farol estava fechado e eu parei há uns 2 metros atrás do cara. Ele começou a dar ré do nada, eu tentei buzinar… e POF! De foder. Sempre me orgulhei de nunca ter batido ou de nunca terem batido em mim, mas agora não posso mais dizer isso por conta desse viado. Fiquei puto.

Descemos os 6 dos carros e o cara desceu do carro dele meio que trançando as pernas. Ele veio me cumprimentar (?), disse que estava voltando do Cemitério (??????) e por isso tava meio mal. O detalhe ficou por conta da camisa do Brasil, do bafo de cachaça e da real tristeza dele de que alguém morreu naquele dia.

Como eu não entendo porra nenhuma de carro e um dos que estavam no carro é engenheiro mecânico, deixei por conta dele analisar o estrago. Pra mim só tinha amassado a placa, mas ele disse que o capô deu uma entortada e que daria uns R$1000 o conserto. Fiquei até espantado e resolvi pegar nome, telefone, CPF, MSN, ICQ e o que mais o cara tivesse pra arrumar essa porra de carro. Não poderia ficar no prejuízo com um animal desse. O cara me passou tudo e disse que ia acionar o seguro dele contra terceiros pra pagar. Ele também pegou meu nome e eu tive que repetir umas 5 vezes meu telefone pra ele conseguir entender o número. O melhor foi quando ele perguntou meu nome. Não sei se ele lê o Teletube, se é fã de tiopês, se me reconheceu do blog ou só se o cara encheu o cu de cachaça mesmo. Escreveu um BRUNO BATDE (bruno batida?) que não consegui me aguentar e comecei a gargalhar. Não dava mais… era melhor ir embora porque não ia adiantar nada discutir ali com um bebaço.

Cheguei em casa depois do jogo e meu pai foi vistoriar o carro. Disse que não precisava mandar o cara acionar o seguro e nem fazer Boletim de Ocorrência na Polícia, senão o carro ia ficar 1 mês fora só pra arrumar um desnível no capô que nem era tão grande. Como o carro é dele, acatei a decisão. Se ele quer assim, que assim seja. Só por curiosidade, passei no dia seguinte na oficina pra ver quanto ficaria o conserto. Era realmente perto dos 1000 reais, porque teria que colocar um novo, mas como meu pai disse pra não fazer nada… jóinha! 😀

Os dias passaram e o cara me ligou dizendo que eu teria que pagar o conserto do carro dele. Eu, obviamente rindo, perguntei se ele tava ficando louco. Ele respondeu que eu bati na traseira dele e, pra quem não entende de trânsito, quem bate atrás, não importa como seja, é SEMPRE o culpado. Tá certo que nesse caso eu não tive culpa, mas CADÊ A PORRA DO B.O PRA COMPROVAR ISSO? Puta merda! Não fiz B.O. E agora… agora tô extremamente fodido. O seguro do meu carro não estava em dia e além de ter que consertar o meu próprio (ele disse que não ia pagar nada), teria que pagar o dele. Tô decidindo ainda se encho a cara e enfio o carro num poste ou se vejo o Brasil ser eliminado pelo Chile antes pra poder não sentir tanta culpa. PUTA QUE PARIU DE VIDA!

Me xinguem muito no Twitter clicando aqui.


Como se comportar em uma entrevista de emprego (dicas quentes!)

março 8, 2010

Minha carreira de trabalhador se resumiu até hoje em procurar emprego em agências. Porém, meu pai, um visionário, me obrigou a procurar “emprego que ganha mais”. Eu já fiz tanta dinâmica de grupo que até decorei as perguntas e montei um manual de procedimentos e boas maneiras a ser seguido quando você for a uma delas.

No começo eles pedem para você se descrever um pouco, então conta aí qualquer coisa e depois você não precisa sofrer mais porque eu vou te ajudar.

1. Vamos começar. Por que você deixou o seu último emprego?

Se for uma mulher a entrevistadora, já conta as fofocas logo de cara. Se for um homem, limite-se a responder “Não tinha gostosas”.

2. O que você sabe da nossa empresa?

Não responda que sabe que a empresa paga uma miséria e nem que a diretora de marketing só tá nesse cargo porque fez um boquetinho pro vice-presidente. Decore o Wikipédia.

3. O que fez para melhorar os seus conhecimentos técnicos no último ano?

Dica: ela não quer que você responda que você fez inglês na SKILL ou curso de apertar parafusos na SOS Computadores. Ela quer saber se você fez algum curso de verdade.

4.  Você está procurando outros empregos?

Diga que sim. Li milhões de vezes no Orkut que Quєм ηãø dá αssisŧêηciα αbrє ρrα cøηcørrêηciα. ρєgøu α sєηЋα? Fiηαł dα fiłα. ηєм ρiør ηєм мєłЋør αρєηαs difєrєηŧє мєu dєus quє quє єu ŧô fαłαηdø?

5. Qual o salário que pretende ganhar?

Fala 15 mil reais só pra você ver a cara de assustada da pessoa hahahaha é divertido


Ops, foto errada…



6. Qual é o seu ponto forte?

Se a entrevistadora for mulher, arregace as mangas e responda “40cm de braço, sua linda”. Se for um homem fala que curte futebol, tomar breja e falar de mulher.

7. Qual é o seu ponto fraco?

“AI SABE EU SOU MUITO PERFECCIONISTA”. Sério, você é muito babaca. Responde que você é babaca que as chances aumentam.

8. Qual foi a coisa mais divertida que fez no trabalho?

Eu caguei no banheiro, entupi a privada e deixei todo meu setor alagado. A galera riu demais.

9. Como você se vê daqui a 5 anos?

“GORDO, CARECA e TOMANDO CACHAÇA”. Ela não quer que você seja honesto aqui não.

10. Por que é que deveríamos te contratar?

Fala que você é diferente dos outros concorrentes. Fala que você não vê Redtube no trabalho. Não quando tem gente atrás e isso é um ponto positivíssimo, diz ae.

TESTE PSICOLÓGICO: agora eles vão ler sua mente

11. Qual seria o emprego dos sonhos?

“Gostaria de ser pago pra dormir. Seria o emprego dos sonhos” QUEM ENTENDEU ME ADD PORQUE ESSA FOI MUITO RUIM KKKKKKKKKKKK

12. Se você pudesse levar algo para uma ilha deserta, o que seria?

“Eu levaria um avião e se eu pudesse levar alguém eu levava o piloto.”

13. Qual das pessoas abaixo você gostaria de ser? Por que?

1. Não responda essa, porque você não tem ideia de quem é e nem eu, rs
2. BINGO! Procure sempre pela velhinha/velhinho feliz (mesmo que você não tenha ideia do que ela tenha feito) e responda: “ah, porque ela foi muito boa para todo mundo. ela contribuiu para um mundo melhor”.
3. Não responda sobre essa/esse ex-BBB de jeito nenhum. Não porque você vai passar a imagem de fútil que assiste BBB, mas porque eles vão achar que você é capaz de cortar até seu pau pela empresa.
4. Se for escolher a Xuxa, é bom que você tenha uma boa jusitificativa, porque eu não tenho.

14. Qual dos animais abaixo você gostaria de ser? Por que?

1. TANTO FAZ
2. TANTO FAZ
3. TANTO FAZ
4. Só não escolhe esse, vai

15. Qual peça completa a imagem abaixo?

KKKKKKKKKKKKKKKKK ai gente vocês são show


16. Alguma última pergunta que queira fazer?

“Por que essa empresa é tão pau no cu?”

Passar bem.

@pagalanxe


Conversas cruzadas

março 8, 2010

Em conversa com o @konelindo no MSN há um tempo.

Konelindo diz:

TO QUERENDO FAZER UM TWEET DE GAYS DAQUELES “SABE COMO EU SEI QUE VC E GAY… VC USA MONANGE”. SABE?

Bruno diz:

Sei, que que tem?

Konelindo diz:

ENTAO ME DIZ UNS PRODUTOS GAYS AÍ

Bruno diz:

Sei lá, bolsa de lado?

Konelindo diz:

NÃO! QUERO UM PRODUTO

Bruno diz:

Peraí que vou procurar no Google.

—x—

Adivinha quem foi procurar “produtos para gays” no Google e o cara do TI veio arrumar a máquina?

@pagalanxe


Enquanto tô com preguiça de escrever algo novo…

dezembro 28, 2009

Vão aí duas histórias minhas narradas pelos locutores do programa Pretinho Básico, da rádio Atlântida do Rio Grande do Sul, que leram os textos na ÍNTEGRA e sequer citaram a fonte. Triste.

História: Entupi a privada da casa da minha namorada

História: Estagiário demitido por justa causa

.

Até minhas histórias tão copiando. Isso só acontece comigo mesmo. 😦

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A passagem de ônibus mais cara da história

novembro 26, 2009

Oba! Voltei. E indignado.

Ontem, depois de anos de trabalho escravo (TCC), resolvi sair de casa para ir para a faculdade sem compromisso. Não que eu já tenha terminado o curso, mas tô bem mais tranquilo e com a vida menos corrida.

Ir sem obrigação é chato pra cacete, principalmente quando se tem que tomar ônibus e metrô pra atravessar a cidade. E lá fui eu, perder umas horinhas pra jogar um campeonato de futebol na faculdade.

Logo que desci minha rua pra pegar o ônibus, pensei: “Ah, meu bilhete único deve estar cheio. Coloquei crédito semana passada”. Pra quem não sabe, aqui em SP há um cartão que você põe dinheiro e passa na maquininha pra validar sua passagem. Simples, né?

Quando entrei no ônibus, tirei meu bilhete do bolso e passei na máquina. Piiiiiiii… SEM SALDO. Puta merda. É um saco ter que pagar uma passagem inteira quando ainda pode-se pagar meia por ser estudante nesse país de meu deus!

Ok, vamos pagar uma passagem inteira, então. Abri a carteira e… uma nota de R$50, apenas. Em ônibus geralmente tem aqueles avisos de “troco máximo R$10”. Não vi isso ontem. Com aquela cara de gato de botas do Shrek, iniciei uma conversa com a cobradora.

– Ihhhhhh… só tenho uma nota de R$50.

– Você vai descer rápido?

– Não, vou descer no ponto final.

– Ah, então fica aí na frente que quando eu tiver troco te aviso.

Pô, super gente fina. Ninguém daria troco pra uma nota de R$50 no ônibus. Deve ser porque eu tava gato ontem, mas isso não vem ao caso.

Fiquei lá sentado no banco de idosos e gestantes esperando ela arranjar o troco. Como não existe um dia em que não haja trânsito em São Paul0, demorei uns 50 minutos até chegar ao ponto final. E o que aconteceu? O óbvio, né. Chegou o ponto final e eu sequer lembrei que havia dado R$50 (CINQUENTA REAIS) pra mulher. Ela também não. Olhei pra ela com cara de “já paguei” e ela autorizou minha passagem. Claro que ambos esqueceram do troco.

Quando entrei na fila do bilhete único do Metrô, me dei conta que não tinha mais um puto sequer na carteira. A única nota era aquela mesmo que eu tinha dado pra cobradora. Saí correndo de volta ao ponto final do ônibus e adivinhem… sim, ele já tinha ido embora. Ah, como eu fiquei puto. Não só pelo dinheiro, mas porque perdi o campeonato na faculdade e também porque tive que voltar A PÉ pra porra da minha casa. São só uns 8km mesmo.

Sério. Vou na SPTrans cobrar indenização por injúria, dor nas pernas e danos morais. 😦

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Rapidinho

novembro 3, 2009

Só pra dizer que tô terminando o TCC na faculdade e tô sem tempo pra postar novas histórias. Em breve conto como tem sido esse inferno.

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UPDATE:

Criei uma comunidade no Orkut pro blog, porque o Orkut não me deixa mais responder scraps e por Twitter é humanamente impossível.

Comunidade: Isso só acontece comigo


Vida sofrida

outubro 16, 2009

Pra todo mundo que acha que eu sou um playboy que nasceu em berço de ouro, não tem a menor ideia do que passei nessa vida de meu deus. Eu não tive que cortar cana, carpir mato ou plantar bananeira porque eu moro na cidade. Se eu morasse no campo, pode ter certeza que eu seria o responsável por pegar a merda do cavalo.

Pra começar, nunca tive emprego fixo, trabalho fixo ou remuneração fixa. Curto ser nômade, andar por aí, conhecer novas pessoas… NÃÃÃÃO! Eu não curto nada disso. Só queria um mísero emprego fixo, com carteira assinada pra eu mostrar pra minha vó e dizer: “Tá vendo, Vó, trabalho no Programa do Gugu”. Como ela mal sabe ler e não tem ideia de que merda alguém faz em publicidade, é mais fácil dizer isso, porque ela é hiper fã do Loirinho e vai sentir orgulho de mim, garantindo meus R$30 reais de presente no Natal.

Mas como a situação tá difícil e ninguém tá afim de dar um emprego, então tô nem aí. Vou continuar acordando tarde, mesmo sendo um dos caras mais trabalhadores e batalhadores desse Brasil.

boca_maloquero

Minha carreira profissional começou logo cedo. Tinha um ótimo perfil empreendedor e pensava em ficar rico a curto prazo. Logo no meu primeiro emprego, fui boicotado por uma senhora que acabou com todas as  minhas aspirações: minha mãe.

Eu gostava muito de tomar gelinho (geladinho, sacolé ou outros nomes que não sei), até porque é mais rápido, é mais jovem mesmo. Sem contar que era baratinho. Na época, custava 15 centavos os feitos com suco natural. Muito bons. Sem contar os gelões, que pareciam uma pica grossa e eram vendidos por  apenas 25 centavos. Isso soou gay, relevem.

Pois bem. Diante do impasse de tomar muitos gelinhos, decidi produzir minha própria série para tomar, vender e ganhar uma grana. Comprava altos Ki-sucos (Tang? HAHAHA. Tang era o triplo do preço de um Ki-suco e eu, com pensamento voltado a negócios, queria maximizar meus lucros) para fazer os meus. Uva, Graviola, Framboesa, Morango… em média, 1 litro de ki-suco fazia 15 gelinhos. Como queria desbancar a concorrência, vendia meus gelinhos a 10 centavos, logo, 15 gelinhos a 10 centavos, iriam me render R$1,50 bruto. Tirando os 30 centavos do suco, minha mão de obra, luz, água, açúcar, os gelinhos que meu pai pegava… acho que dava pra ganhar uns 50 centavos a cada 15 feitos. Super grana. Dava pra comprar três mini-raias (pipa).

Como bom comunicador desde pequeno, coloquei uma plaquinha no portão anunciando que eu tinha entrado no ramo. Não demorou pra todos os meus vizinhos virem comprar e contraírem dívidas de 40 centavos, 60 centavos, o que me deixava extremamente puto. Porém, o que me deixou mais puto foi minha mãe. Ela ficou com vergonha da minha atitude empreendedora e arrancou minha plaquinha: “Para de ser besta. Dá todos esses gelinhos, não vai vender pra ninguém”. E saiu distribuindo pra quem quer que fosse minhas obras-primas-alimentícias. Noooooooossa. Sou um cara de muito bom coração, senão eu JAMAIS teria perdoado essa atitude dela.

Ok, mãe. Não quer que eu seja vendedor de gelinho, uma profissão honesta,  digna, então vou fazer uns bicos na Páscoa. Pra vocês terem uma ideia, me tornei o maior responsável pelo faturamento de uma senhora que fazia Ovos de Páscoa. E qual era meu cargo? Vendedor de rifas. Em troca do meu trabalho, ela me dava um ovo igual ao que estava sendo rifado. Bem legal. Juro que conseguia vender 5 rifas de 100 números em uma semana. Eu era pequeno, “inocente” e todo mundo comprava. Uma pena que eles nunca souberam que eu era o maior fraudador da história das rifas.  Conseguia fazer um esquema com a luminária que eu via o nome de quem ia ganhar antes. Em troca desse nome, oferecia a uma pessoa X por um preço mais elevado. Negócios são negócios. E criança quer sempre comprar algo útil, tipo… mais pipas.

rifa 2Tive esse emprego temporário por uns 6 anos. Como eu mal ganhava Ovo de Páscoa dos meus pais/parentes, consegui alimentar minha família nesse período.

Já mais crescido, decidi que iria trabalhar com o que eu gostava de verdade: pipas. Eu gostava muito de empinar pipa (ainda gosto) e queria fazer os meus pra não ter que gastar comprando novos. Fui contratado no Cel Pipas pra fechar MINI-RAIAS, que são menores que as raias.

celO pagamento variava de acordo com a produção. Para cada raião fechado, ele pagava 3 centavos e meio. Para cada raia fechada, ele pagava 2 centavos e meio. Já eu, um escravo cambojano, fechava as porras das MINI-RAIAS… e ganhava 1 centavo e meio por cada fechamento.

Eu já sabia fazer, tanto que achei que seria fácil. Fiz 600 pipas em 5 dias e pedi as contas, porque empinar pipa era bem mais legal do que fazê-las. Saldo final: 9 reais em uma semana e um sorriso de orelha a orelha por poder comprar todos os pipas que eu mesmo fiz. Tudo bichado, penso, torto, mas beleza, hehehe.

No ano seguinte, me arrisquei na pior profissão do mundo: ser estoquista na Handbook do shopping Center Norte (SP). Acho que não há algo pior e mais humilhante do que ficar procurando roupas para um bando de imbecis, só porque você ainda não tem 18 anos e não pode ser vendedor. Que desgraça. Trabalhava das OITO da manhã até as DUAS da manhã em regime semiaberto no período do Natal. Até os presos veem sua família no Natal… só eu que não comi peru porque tava trabalhando. Puta vida miserável. Ainda bem que era temporário, porque eu não ia aguentar mais de 1 mês naquele inferno.

Passado as babaquices infantis de tentar conseguir dinheiro para ir a domingueiras e matinês, entrei na faculdade e me conscientizei que dali pra frente só arrumaria trabalhos fixos. Quisera eu. O primeiro que arrumei foi um freelance para um bando de universitários de uma faculdadezinha meia boca para fazer direção de arte pro trabalho de conclusão de curso deles. Totalmente estressante, porque os animais não sabiam a diferença entre Pantone e CMYK.

Seguindo a linha, virei estagiário numa das melhores agências de São Paulo e consegui remuneração fixa por vários meses. Ufa! Até que enfim. Ganhar VR  (vale-refeição) mensalmente parece um presente divino. Eu economizava muito no almoço para levar minha namorada pra ir jantar no final de semana com o santo VR.  Salário de estagiário é triste. Nunca que eu ia conseguir bancar alguma coisa sem meu amado, idolatrado, lindo e fofuxo VR. Já que você pensou nisso, pobre é tua mãe.

Em paralelo à faculdade e aos estágios, criei 700 comunidades do Orkut que não me serviram pra bosta nenhuma, porque me recusei a ganhar dinheiro com propaganda pra não deixar “visualmente feio o layout”. Como sou imbecil. Muito imbecil.

Desisti de criar comunidades e passei a criar frases pra concursos culturais pela internet. Ganhei algumas coisinhas e consegui me sustentar com um prêmio que vendi.

Hoje sou considerado blogueiro. Cheguei ao fundo do poço.

Me sigam aí no Twitter, lindos.