A primeira vez no motel

junho 2, 2017


Vexame na festa da ~firma~

julho 15, 2014

Eu decidi colocar um título minimalista pra amenizar, porque ele seria muito mais longo. Seria algo como: “Vexame na festa da firma e como as consequências se desdobraram até os dias de hoje e como permaneci contratado mesmo fazendo todas as bostas possíveis temendo uma outra possível demissão por justa causa além de ir ao show do Catra com a galera do trabalho no fim de semana”. Oi? Catra? Qual a relação? Se acomoda direitinho aí na cadeira que eu vou contar.

PARTE 1: “Vexame na festa da firma”

Tudo começou há um tempo atrás. Uma pena não ter sido na Ilha do Sol, porque teria sido melhor. Foi na festa da ~firma~ de 2013. Imagina a combinação explosiva pra uma festa para dar errado: open bar + chefes + dona da empresa + chegar atrasado pra um open bar.

Vamos lá. A festa, como eu disse, era open bar. Mas era fechada para nós das 20h até à meia-noite numa balada de São Paulo. Depois ela abriria normalmente pro público geral. OK, né? Pensei: vou chegar às 20h, ficar legalzão e depois me enturmar com a galera. Deu 20h e todos estavam no trabalho ainda. Deu 21h e nós estávamos na casa de uma menina do trabalho nos arrumando. Deu 22h e nós ainda estávamos na casa da menina do trabalho. Deu 23h e adivinha… não, “já” estávamos chegando na festa. Eu tinha 1h para beber tudo que não bebi no ano de 2013 inteiro.

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Foto: Arquivo pessoal

Comecei com uma caipirinha. Fraca. Tomei outra. Fraca. Tomei outra. Fraca. Em 10 minutos eu já tinha tomado 3 e não tinha sentido nada. Pensei: ‘Porra, eu vou virar tudo que tiver álcool porque já vai dar meia noite e nem bêbado estou’. Comecei a pedir vodka pura e virar para ver se dava algum barato. Sabe como é pobre, né? Num pode ver coisa de graça que tem que pegar tudo de uma vez. Deu 23h30 e eu já tava chamando urubu de meu louro e dando em cima de mulheres do alto escalão da empresa. NORMAL! :/

Sentei num banco no meio da galera (era tipo aqueles bancos de praça) e, como Drummond (citei Drummond, chupa!), cruzei as pernas com um gentleman para disfarçar que estava em coma alcoólico. Eu não fazia a menor ideia para qual lado ficava o banheiro e por isso fiquei ali conversando com meu estômago pra ver se adiantava. Resultado: rebeldezinho e como um black bloc, ele resolveu devolver todas as pedradas que mandei pra ele.

Z  estatua-de-drummondEu: praticamente um lord

Disfarçadamente coloquei meu braço direito por cima do banco e deitei a cabeça meio que no meu sovaco. Espero que vocês consigam imaginar a cena, mas era a tática ideal e o disfarce perfeito para ninguém da empresa reparar, certo? CERTO. Pelo menos pra mim. Vomitei uma, duas, três, mil vezes no matinho que tinha atrás do banco. Depois do URGHGHGHGGGHGH, sempre voltava com a cabeça à posição original e sorria como se nada estivesse acontecendo. As pessoas perguntavam: “Você tá bem?” “Claro, não poderia estar melhor”. E a festa seguiu, com essa cena se repetindo mais umas 5 vezes. Na minha cabeça, meu plano tinha dado 100% certo e REALMENTE ninguém tinha percebido nada. Pff, bêbados…

Resolvi levantar, depois de deixar 88% da água/vodka do meu corpo no matinho. Com sede. E aí a primeira coisa que apareceu na minha frente e tinha água em abundância: um chafariz. Poxa, era tão bonito aquela aguinha jorrando que era impossível que não fosse potável. Tomei uns goles até ser impedido por sei lá quem (talvez meu chefe, aff) de tomar mais. Me deram uma garrafinha mesmo.

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Acho que a água daquele fonte era benta, porque melhorei substancialmente. Entre uma vomitada escondida e um gole d’água, começaram a me dar coisas pra “não ficar de estômago vazio”. Arranjaram uma bela solução pra isso: pipoca. Porra, quem caralhos dá pipoca pra bêbado? Nada poderia ter me feito mais mal que aquilo. E aí, óbvio, o vexame começou. Eu, que estava até aquele momento fingindo estar sóbrio e tendo plena consciência de que estava convencendo no papel, desmoronei. A dona da empresa, que estava ajudando a me limpar, ganhou um belo presente: uma bela golfadinha no seu sapato da Louis Vuitton. Dá nada, né? Só passar um paninho que tá limpo. Comecei a falar que ia passar no RH e saí correndo pela balada procurando o setor de RH. DEUS DO CÉU, POR QUÊ, DEUS?

Apaguei.

Acordei.

Estava dentro do carro do padrasto de uma amiga do trabalho. Eu, o padrasto, a mãe da Flavia (nome fictício), a Flavia, a Neusa (nome mais fictício ainda porque ninguém jovem chama Neusa). E eu só abri os olhos porque O GIGANTE ACORDOU! E acordou furioso: haja limpeza do carro que o padrasto deve ter precisado fazer, porque lavei o banco do carro com o resto da pizza de pepperoni que HUMMMMMM, TAVA UMA DELÍCIA. Num deu nem para abrir a porta, desculpa. Olha, vou te dizer que devo ter feito um favor, porque o carro tava meio empoeirado e a mãe dela deveria falar todo dia pra ele lavar. ENFIM, não mandei tão mal.

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Aqui começa a parte 2.

PARTE 2: “O que o vexame na festa da firma tem a ver com o show do Catra?”

Apaguei novamente. A Flavia tinha dito que eu não ia ter condição de chegar na minha casa com meu carro, mas disse que não dava pra ficar na casa dela. A Neusa se prontificou a me dar um lar por aquela noite. Aqui vai um detalhe importantíssimo e crucial para a história: a Neusa namora.

Pegamos um táxi e fomos até a casa da Neusa. Chegando lá, já capotei no primeiro lugar que vi na frente porque ninguém é obrigado a estar bêbado, vomitado e ainda ter que se preocupar com o que as pessoas da casa vão pensar. Dormi direto e só acordei no dia seguinte e fiz uma peregrinação para buscar meu carro, que estava abandonado na casa da Flavia.

No primeiro dia útil após a festa, apareci na empresa, sob os olhares incrédulos das pessoas. Nem vou comentar a merda que foi esse dia, mas vale o destaque pra frase da Neusa: “Falei pro meu namorado que você dormiu lá em casa. Ele ficou muito muito muito muito puto e ficou querendo saber quem era. Falei pra ele não se preocupar e inventei que você era gay para ele acreditar em mim. Como vocês nunca vão se ver, num tem problema nenhum”. OK, né?

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Bruno, Bruno, Bruno…

OK até esse belo final de semana de julho de 2014, quando todo o pessoal se reuniu para ir no aniversário de uma pessoa aqui do trabalho. E não podia ser mais marcante: show do Catra. E vou deixar vocês adivinharem quem entrou pela porta quando estávamos fazendo o esquenta… Sim, a Neusa e seu namorado 2mx2m com cara de ENTÃO É VOCÊ O FILHO DA PUTA DO BRUNO. Num tive saída. A solução era incorporar o gay ali na hora por questões de: sobrevivência.

Perguntei se uma das meninas fez baby liss, perguntei pra outra se ela tava usando o esmalte Quinta Avenida ou o Preguicinha e usei palavras como M-A-R-A e BEE para tornar tudo mais real. Os caras do trabalho me ajudaram e até lembraram uma história que confundi “cheiro de porra” com “gosto de porra”. A pergunta no almoço de trabalho era: “Tá chovendo no deserto. De um lado só cai merda e do outro só cai porra, para qual lado você corre?” Eu, na minha extrema burrice, respondi “Na porra, claro, porque tem um gostinho de cândida até…”. Gargalhadas. Foi só um lapso de confusão de sentidos. Para você ter uma ideia, meu apelido aqui no trabalho é Cândida agora. Foda-se, isso não vem ao caso, mas essa história ajudou a melhorar a visão do 2mx2m de que eu realmente não teria feito nada com ela naquela noite.

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Vou colocar uma capa e sair como Super Cândida para salvar pessoas nas ruas

Parti pra balada mais tranquilo. Por lá, ensinei a coreografia de Show das Poderosas, dancei no meio da roda quando começou a tocar Beijinho no Ombro e fui até o chão quando o Catra entrou no palco. O personagem estava perfeito. Se eu tivesse uma estatueta do Oscar ali, me premiaria e deixaria os Brokeback Mountain chupando o pau da barraca.

Em determinado momento, passou um cara por nós e o 2mx2m tentou me “agitar” pra ele. Mano, que caralhos? Depois, ele veio dançar comigo e tentou me encoxar. Ô PUTA QUE O PARIU! Há um limite pra tudo nessa vida e o meu foi ali. Olhei pra cara da Neusa com cara de MOÇA, SEU NAMORADO É GAY e tratei de dar um belo socão no peito nele. Ele me olhou, olhou de novo e vi que ele estranhou minha revolta ali. Puto com toda aquela ceninha desde o começo, decidi dar um basta naquela situação:

– OLHA AQUI! VOCÊ ACHA QUE É GRANDE E PODE TUDO, MAS VOCÊ ME RESPEITE PORQUE EU TENHO NAMORADO E ELE É UM BOY MAGIA INCRÍVEL!!!!!!

Moral da história: melhor manter os dentes no lugar do que a sua dignidade.

Valeu!

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