Vexame na festa da ~firma~

julho 15, 2014

Eu decidi colocar um título minimalista pra amenizar, porque ele seria muito mais longo. Seria algo como: “Vexame na festa da firma e como as consequências se desdobraram até os dias de hoje e como permaneci contratado mesmo fazendo todas as bostas possíveis temendo uma outra possível demissão por justa causa além de ir ao show do Catra com a galera do trabalho no fim de semana”. Oi? Catra? Qual a relação? Se acomoda direitinho aí na cadeira que eu vou contar.

PARTE 1: “Vexame na festa da firma”

Tudo começou há um tempo atrás. Uma pena não ter sido na Ilha do Sol, porque teria sido melhor. Foi na festa da ~firma~ de 2013. Imagina a combinação explosiva pra uma festa para dar errado: open bar + chefes + dona da empresa + chegar atrasado pra um open bar.

Vamos lá. A festa, como eu disse, era open bar. Mas era fechada para nós das 20h até à meia-noite numa balada de São Paulo. Depois ela abriria normalmente pro público geral. OK, né? Pensei: vou chegar às 20h, ficar legalzão e depois me enturmar com a galera. Deu 20h e todos estavam no trabalho ainda. Deu 21h e nós estávamos na casa de uma menina do trabalho nos arrumando. Deu 22h e nós ainda estávamos na casa da menina do trabalho. Deu 23h e adivinha… não, “já” estávamos chegando na festa. Eu tinha 1h para beber tudo que não bebi no ano de 2013 inteiro.

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Foto: Arquivo pessoal

Comecei com uma caipirinha. Fraca. Tomei outra. Fraca. Tomei outra. Fraca. Em 10 minutos eu já tinha tomado 3 e não tinha sentido nada. Pensei: ‘Porra, eu vou virar tudo que tiver álcool porque já vai dar meia noite e nem bêbado estou’. Comecei a pedir vodka pura e virar para ver se dava algum barato. Sabe como é pobre, né? Num pode ver coisa de graça que tem que pegar tudo de uma vez. Deu 23h30 e eu já tava chamando urubu de meu louro e dando em cima de mulheres do alto escalão da empresa. NORMAL! :/

Sentei num banco no meio da galera (era tipo aqueles bancos de praça) e, como Drummond (citei Drummond, chupa!), cruzei as pernas com um gentleman para disfarçar que estava em coma alcoólico. Eu não fazia a menor ideia para qual lado ficava o banheiro e por isso fiquei ali conversando com meu estômago pra ver se adiantava. Resultado: rebeldezinho e como um black bloc, ele resolveu devolver todas as pedradas que mandei pra ele.

Z  estatua-de-drummondEu: praticamente um lord

Disfarçadamente coloquei meu braço direito por cima do banco e deitei a cabeça meio que no meu sovaco. Espero que vocês consigam imaginar a cena, mas era a tática ideal e o disfarce perfeito para ninguém da empresa reparar, certo? CERTO. Pelo menos pra mim. Vomitei uma, duas, três, mil vezes no matinho que tinha atrás do banco. Depois do URGHGHGHGGGHGH, sempre voltava com a cabeça à posição original e sorria como se nada estivesse acontecendo. As pessoas perguntavam: “Você tá bem?” “Claro, não poderia estar melhor”. E a festa seguiu, com essa cena se repetindo mais umas 5 vezes. Na minha cabeça, meu plano tinha dado 100% certo e REALMENTE ninguém tinha percebido nada. Pff, bêbados…

Resolvi levantar, depois de deixar 88% da água/vodka do meu corpo no matinho. Com sede. E aí a primeira coisa que apareceu na minha frente e tinha água em abundância: um chafariz. Poxa, era tão bonito aquela aguinha jorrando que era impossível que não fosse potável. Tomei uns goles até ser impedido por sei lá quem (talvez meu chefe, aff) de tomar mais. Me deram uma garrafinha mesmo.

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Acho que a água daquele fonte era benta, porque melhorei substancialmente. Entre uma vomitada escondida e um gole d’água, começaram a me dar coisas pra “não ficar de estômago vazio”. Arranjaram uma bela solução pra isso: pipoca. Porra, quem caralhos dá pipoca pra bêbado? Nada poderia ter me feito mais mal que aquilo. E aí, óbvio, o vexame começou. Eu, que estava até aquele momento fingindo estar sóbrio e tendo plena consciência de que estava convencendo no papel, desmoronei. A dona da empresa, que estava ajudando a me limpar, ganhou um belo presente: uma bela golfadinha no seu sapato da Louis Vuitton. Dá nada, né? Só passar um paninho que tá limpo. Comecei a falar que ia passar no RH e saí correndo pela balada procurando o setor de RH. DEUS DO CÉU, POR QUÊ, DEUS?

Apaguei.

Acordei.

Estava dentro do carro do padrasto de uma amiga do trabalho. Eu, o padrasto, a mãe da Flavia (nome fictício), a Flavia, a Neusa (nome mais fictício ainda porque ninguém jovem chama Neusa). E eu só abri os olhos porque O GIGANTE ACORDOU! E acordou furioso: haja limpeza do carro que o padrasto deve ter precisado fazer, porque lavei o banco do carro com o resto da pizza de pepperoni que HUMMMMMM, TAVA UMA DELÍCIA. Num deu nem para abrir a porta, desculpa. Olha, vou te dizer que devo ter feito um favor, porque o carro tava meio empoeirado e a mãe dela deveria falar todo dia pra ele lavar. ENFIM, não mandei tão mal.

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Aqui começa a parte 2.

PARTE 2: “O que o vexame na festa da firma tem a ver com o show do Catra?”

Apaguei novamente. A Flavia tinha dito que eu não ia ter condição de chegar na minha casa com meu carro, mas disse que não dava pra ficar na casa dela. A Neusa se prontificou a me dar um lar por aquela noite. Aqui vai um detalhe importantíssimo e crucial para a história: a Neusa namora.

Pegamos um táxi e fomos até a casa da Neusa. Chegando lá, já capotei no primeiro lugar que vi na frente porque ninguém é obrigado a estar bêbado, vomitado e ainda ter que se preocupar com o que as pessoas da casa vão pensar. Dormi direto e só acordei no dia seguinte e fiz uma peregrinação para buscar meu carro, que estava abandonado na casa da Flavia.

No primeiro dia útil após a festa, apareci na empresa, sob os olhares incrédulos das pessoas. Nem vou comentar a merda que foi esse dia, mas vale o destaque pra frase da Neusa: “Falei pro meu namorado que você dormiu lá em casa. Ele ficou muito muito muito muito puto e ficou querendo saber quem era. Falei pra ele não se preocupar e inventei que você era gay para ele acreditar em mim. Como vocês nunca vão se ver, num tem problema nenhum”. OK, né?

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Bruno, Bruno, Bruno…

OK até esse belo final de semana de julho de 2014, quando todo o pessoal se reuniu para ir no aniversário de uma pessoa aqui do trabalho. E não podia ser mais marcante: show do Catra. E vou deixar vocês adivinharem quem entrou pela porta quando estávamos fazendo o esquenta… Sim, a Neusa e seu namorado 2mx2m com cara de ENTÃO É VOCÊ O FILHO DA PUTA DO BRUNO. Num tive saída. A solução era incorporar o gay ali na hora por questões de: sobrevivência.

Perguntei se uma das meninas fez baby liss, perguntei pra outra se ela tava usando o esmalte Quinta Avenida ou o Preguicinha e usei palavras como M-A-R-A e BEE para tornar tudo mais real. Os caras do trabalho me ajudaram e até lembraram uma história que confundi “cheiro de porra” com “gosto de porra”. A pergunta no almoço de trabalho era: “Tá chovendo no deserto. De um lado só cai merda e do outro só cai porra, para qual lado você corre?” Eu, na minha extrema burrice, respondi “Na porra, claro, porque tem um gostinho de cândida até…”. Gargalhadas. Foi só um lapso de confusão de sentidos. Para você ter uma ideia, meu apelido aqui no trabalho é Cândida agora. Foda-se, isso não vem ao caso, mas essa história ajudou a melhorar a visão do 2mx2m de que eu realmente não teria feito nada com ela naquela noite.

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Vou colocar uma capa e sair como Super Cândida para salvar pessoas nas ruas

Parti pra balada mais tranquilo. Por lá, ensinei a coreografia de Show das Poderosas, dancei no meio da roda quando começou a tocar Beijinho no Ombro e fui até o chão quando o Catra entrou no palco. O personagem estava perfeito. Se eu tivesse uma estatueta do Oscar ali, me premiaria e deixaria os Brokeback Mountain chupando o pau da barraca.

Em determinado momento, passou um cara por nós e o 2mx2m tentou me “agitar” pra ele. Mano, que caralhos? Depois, ele veio dançar comigo e tentou me encoxar. Ô PUTA QUE O PARIU! Há um limite pra tudo nessa vida e o meu foi ali. Olhei pra cara da Neusa com cara de MOÇA, SEU NAMORADO É GAY e tratei de dar um belo socão no peito nele. Ele me olhou, olhou de novo e vi que ele estranhou minha revolta ali. Puto com toda aquela ceninha desde o começo, decidi dar um basta naquela situação:

- OLHA AQUI! VOCÊ ACHA QUE É GRANDE E PODE TUDO, MAS VOCÊ ME RESPEITE PORQUE EU TENHO NAMORADO E ELE É UM BOY MAGIA INCRÍVEL!!!!!!

Moral da história: melhor manter os dentes no lugar do que a sua dignidade.

Valeu!

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Guarujá + merda = fórmula de sucesso do Carnaval

fevereiro 10, 2011

O título é bem esse mesmo. Não que o Guarujá seja uma merda, mas tudo que acontece por lá ou é merda (literalmente) ou dá merda. Se você tem acompanhado o blog com certa frequência, deve imaginar que eu sou um cara complexado com bosta, merda, cocô e afins. Já passou do estágio da normalidade e virou doença. Sério. Se, por exemplo, vou viajar por 8 dias, pode apostar que ficarei 8 dias sem cagar. Pra mim isso é normal, não preciso de muito esforço, porque consegui domesticar meu estômago com Activia.

Bom, como todo Carnaval é aquela chatice televisiva, migrei pra casa de um amigo meu no Guarujá só porque curto um trânsito. Chegamos muito depois do planejado, na sexta de madrugada, mas foda-se. Em muito pouco eu estaria pisando descalço na areia e jogando aquele futebol com os caiçaras. Pra quem não sabe, o sonho de vida da maioria dos paulistanos é: 1- ter um escritório na praia (alô, Charlie Brown); 2- exibir seu corpo malhado nas poucas vezes que pode usar sunga depois de 1 ano pagando a academia; 3- vencer os caiçaras (povo de santos e região) em qualquer partida que seja.

Pra minha felicidade, já realizei as 3, com exceção da 1 e da 2 (chupa, caiçaras!). A 2 eu só excluo porque meu espírito chassi de frango não permite que eu me enquadre nesta categoria, mas na questão sunga consegui me adaptar. Sabe como é, né? Quando se é moleque, você fica usando bermuda o tempo todo achando que todo mundo vai ficar olhando pro seu pau. Mas aí você cresce, adquire maturidade e percebe que não importa se as pessoas vão olhar, o importante é aceitar que é essa mixaria que a gente tem mesmo (que não vai mudar) e dane-se. Nõs não somos atores pornôs dick longdong, carai, então vambora pra praia só de sunguinha.

Sou o de preto #BemMisterioso

Por uma grande ironia do destino, a sunga foi o ponto negativo do Carnaval. Na manhã de sexta, deixei minha mala prontinha pra ir viajar e não encontrei minha sunga. Pedi pra minha mãe comprar uma pra mim enquanto fui trabalhar. E ela comprou: UMA SUNGA BRANCA. Êêêê, parabéééns! :(

Fui com essa merda mesmo pra praia no sábado de manhã. Quem liga? Puxei minha cadeira e fiquei pagando de gatinho enquanto tomava sol. O que eu não contava é que sofreria uma traição do meu estômago. Esse filho da puta me deixa entalado durante uma semana e resolve se manifestar quando eu já tô com o pé na areia da praia e de sunga braaaaaaaaaaaanca? Vai tomar no cu.

Pedi pra irem achar um lugar perto onde eu pudesse me acabar no banheiro enquanto eu dava aquela seguradinha básica. Dentro de mim sentia um terremoto de 18.1 na escala Richter revirar meu estômago e forçar uma saída brusca de coisas que eu não queria. PQP! Eu ia cagar nas calças. Ou pior: na porra da sunga braaaanca!

Comecei a suar e conversar comigo mesmo para me concentrar. Claro que tinha a opção de ir no mar, mas do jeito que a coisa tava parecendo que viria, ia ser a pior das opções. Cada segundo que passava eu ia envergando cada vez mais na cadeira para fechar o cu e evitar estragos maiores. Já tava quase virando de ponta-cabeça até que passou pelo guarda-sol uma amiga da escola que eu não via há tempos.

Eu, um acrobata

PQP DE NOVO, PORRA! Ela começou a puxar assunto e eu só respondendo com “arrã”, “é”, “claro”… e envergando. Eu tava decidido que por ali (no cu) nada passaria. Ficamos uns 5 minutos conversando e acho que ela foi embora achando que eu era um tarado, porque ficava me contorcendo na cadeira e levantando só a sunga pra cima. Menor dos problemas, tô nem aí.

Quando ela saiu, tomei a decisão: CORRER! Não dava mais pra segurar e como eu só havia ido de sunga (sem chinelo, bermuda ou camiseta) arrisquei correr até a casa do meu amigo. Eram só dois quarteirões que, naquele momento, pareciam uma maratona. Eu corria que nem um FDP e não chegava em lugar algum. Juro que Usain Bolt teria ficado pra trás se a gente tivesse apostando uma corrida. Acho que ele sempre tá com vontade de cagar, por isso consegue bater esses recordes. Fica a dica.

E no meio do caminho dessa corrida louca acontece o inesperado: TRAVEI. Sabe aquela câmeras lentas de filme? Foi bem isso que comecei a sentir. Sentia o coração bater forte, o suor escorrer, as pernas tremerem e as pessoas se mexerem lentamente. Ao meu redor tudo parou. Fiquei estático por alguns segundos segurando, mas meus pés começaram a queimar com os 90ºC que estava. FODEU! Não teve jeito. Comecei a correr e a me cagar inteiro. Quanto mais eu corria, mais a bosta saía. Era merda escorrendo por todos os poros do meu corpo. Pra vocês terem ideia, a odiada sunga branca já tava marronzinha. Pelo menos isso.

Pra minha sorte, acho que ninguém viu. Cheguei na área de banhistas do prédio e me tranquei no banheiro. Sentei pra cagar achando que viria aquela bomba atômica, mas nem um peidinho eu consegui dar. Nem aqueles xoxos, sabe? Nada! Eu já tinha me cagado todo pelo meio do caminho.

Já que esse assunto tava resolvido, era hora de me limpar. Meus olhos encheram de lágrimas só de imaginar que não teria papel higiênico, mas como sou um cara de muita sorte, havia um rolo fechadinho para o meu inteiro e fucking deleite.

Alfreeedo, o menino está com sede

Comecei a tirar, tirar, tirar e a bosta parecia não acabar. E eu achando que um rolo era muito… Em determinado momento, vi que tirar com o papel ou de qualquer outra forma era a mesma coisa. Convenhamos, eu já tava todo fodido mesmo. O papel acabou e eu comecei a esvaziar minha sunga com a mão. Tirava da sunga o cremutcho aloevera cheio de merda e jogava na pia. Sem constrangimento. Sério, na minha situação ali isso não importava em nada.

Fiquei 45 minutos no banheiro. Pra dar o toque final de frescor e limpeza, peguei os paninhos que o zelador tinha deixado no banheiro. Sei lá o que ele já tinha feito com eles, mas pode ter certeza que esse foi o melhor uso daqueles panos. Tirei a bosta da perna, limpei a sunga, sequei o suor…

Subi pelo elevador de serviço e, pra minha sorte, ninguém encontrou comigo. Fiquei mais 45 minutos no banho pra tirar toda a nhaca e agora estou aqui limpinho e cheirando a Monange.

Aposto que tudo isso aconteceu porque eu ficava zoando da propaganda da Activia no Twitter. Aquelas putas correndo na praia e vem uma outra imbecil perguntar “E aí, amigas, como tá o intestino?”. Minha vontade era responder:  “Meu intestino com Activia tá um reloginho. Mais precisamente uma bomba reloginho.”

Me segue aí no Twitter. O aperto de mão é FREE! :)


Fui demitido. Justa causa.

fevereiro 1, 2011

É, amigos. Parece que teremos mais um blogueiro (odeio esse termo) nessa vidaloka de internet 24h por dia, 7 dias por semana. Esse blogueiro, acreditem, sou eu. Pois é. Tristeza para uns (eu), tristeza para outros (vocês). E agora estou postando de uma lan house, aqui na rua da Amargura (passei o ano inteiro esperando só pra fazer essa piada hahahaha riam).

Como estagiário, aprendi milhões de coisas e fui muito bem sucedido nas minhas funções. Juro que não entendo o porquê de me demitirem… Eu tinha várias funções que fazia com excelência, entre elas:

1. Tirar xerox. 3.1 segundos por página. Contando o tempo pro multifuncional ligar, claro.

2. Passar café. Sério… chamem a Ana Maria Braga, o Hugo, a Palmirinha… meu café faz as pessoas ficarem apaixonadas. Não sei porque eu disse isso, mas ok.. valeu pra reforçar.

3. Comprar cigarro e pão. 1 minuto e 27 segundos. Ida e volta.

4. Fazer jogos na Mega-Sena, Dupla-Sena, Lotofácil, Loteria Esportiva… Como manjo de futebol, ainda tinha que falar quem seria o vencedor das partidas. Se eu errasse, me faziam pagar pela aposta. Se eu acertasse… bem, nunca acertei, porque sempre mandei o pessoal apostar em vitória do Corinthians… hahahaha pena que ele nunca ganha hahahaha.

Eu era muito bom. Mesmo. Fazia tudo bonitinho, certinho, até que peguei uma certa confiança com o pessoal e resolvi fazer uma brincadeirinha inocente. É impressionante o nível de stress e conturbação em um ambiente de trabalho. Quis dar uma amenizada na galera, deixar o povo feliz e fui recompensado com uma bela de uma demissão por justa causa. Puta sacanagem!

Vou contar toda minha rotina desse dia catastrófico. Era quinta-feira, 26 de março, quando cheguei ao trabalho. Era longe e, por isso, eu chegava cedo. Não porque era longe, mas porque meu amigo me dava carona até um lugar “pertinho” dali. Pertinho tá entre aspas porque não era tããããão perto assim. Eu tinha que andar mais 6 km a pé pra chegar na agência. Chegava todo dia umas 7h30 da manhã, quando, na verdade, era pra chegar umas 11h, devido a essa nova lei de estagiário. Eu era feliz. Não ligava mesmo. Nem pelo salário mínimo que mal me pagavam.

Nesse dia, passei na padaria no meio do caminho. Demonstrando muita proatividade, comprei pão e 3 Marlboro. Já queria ter na mão sem nem mesmo me pedirem. Quando abri a agência (sim, me deixam com a chave porque o pessoal só começa a chegar lá pelas 11h), já vi uma montanha de folhas para eu xerocar na minha mesa. Xeroquei tudo, fiz café e deixei tudo nos trinques (minha mãe que usa essa gíria rs). Como tinha saído um pouco mais cedo no outro dia, deixaram um recado na minha mesa: “pegar o resultado da mega-sena na lotérica”. Como tinha adiantado tudo, fui buscar o resultado lá. No meio do caminho, tive a ideia mais genial da minha vida e, consequentemente, a mais estúpida.

Peguei o resultado do jogo: 01/12/14/16/37/45. E o que fiz? Malandro que sou, peguei uns trocados e fiz uma aposta igual a essa no caixa. Joguei nos mesmos números, porque, na minha cabeça, claro, minha brilhante ideia renderia boas risadas. Levei os 2 papeizinhos (o resultado do sorteio e minha aposta) para a agência novamente. Ainda ninguém tinha dado as caras. Como sabia onde o pessoal guardava os papeis das apostas, coloquei o jogo que fiz no meio do bolinho e deixei o papel do resultado à parte.

O pessoal foi chegando e quase ninguém deu bola pros jogos. Da minha mesa, eu ficava observando tudo, até que um cara, o Daniel, começou a conferir. Como eu realmente queria deixar o cara feliz, coloquei a aposta que fiz naquele dia por último do bolinho, que deveria ter umas 40 apostas. Coitado, a cada volante (sim, esse é o nome dos papelzinho com as apostas lá, rs) que ele passava, eu notava a cara de desolação dele. Bem triste. Foi quando ele chegou ao último papel. Já quase dormindo em cima do papel, vi ele riscando 1, 2, 3, 4, 5, 6 números. Ele deu um pulo e conferiu de novo. Esfregou os olhos e conferiu de novo, hahahaha. Tava ridículo, mas eu tava me divertindo. Deu um toque no cara do lado, o Rogério, pra conferir também. Ele olhou, conferiu e gritou: “PUTA QUE PARRRRRRRRIUUUUUUUUUU, TAMO RICO, PORRA”. Subiu na mesa, abaixou as calças e começou a fazer girocóptero com o pau. Enquanto isso, o Daniel pegou o telefone e ligou pra casa chorando, berrando que tinha ganho na Mega-Sena. Óbvio que isso gerou um burburinho em toda a agência e todo mundo veio ver o que estava acontecendo. Uns 20 caras faziam esse esquema de apostar conjuntamente. 8 deles, logo que souberam, não hesitaram: correram para o chefe e mandaram ele tomar bem no olho do cu e enfiar todas as planilhas do Excel na buceta da arrombada da mulher dele. No meu canto, eu ria que nem um filho da puta. Caí da cadeira de tanto rir. Todos parabenizando os ganhadores (leia-se: falsidade reinando, quero um pouco do seu dinheiro), com uns correndo pelados pela agência e outros sendo levados pela ambulância para o hospital devido às fortes dores no coração que sentiram com a notícia.

Como eu não conseguia parar de rir, uma vaquinha (leia-se: mulher) veio perguntar do que eu ria tanto. Eu disse: “puta merda, hahahahahahahaha esse jogo que hahahahahahaaha ele conferiu hahahahahaha eu fiz hoje de manhã hahahahahahaahahahahahaha”. A vaca me fuzilou com os olhos e gritou que nem uma putalouca: “PAREEEEEEEEEEM TUDO, ESSE JOGO FOI UMA MENTIRA. UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO DO ESTAGIÁÁÁÁÁÁÁRIO, AINDA POR CIMA.” Todos realmente pararam olhando pra ela. Alguns com cara de “quê?” e outros com cara de “ela tá brincando”. O cara que tava no bilhete na mão, cujo nome desconheço, olhou o papel e viu que a data do jogo era de 27/03. O silêncio tava absurdo e só eu continuava rindo. Ele só disse bem baixo: é… é de hoje. Nesse momento, parei de rir, porque as expressões de felicidade mudaram para expressões de ‘vou te matar’. Corri… corri tanto que nem quando eu estive com a maior caganeira do mundo eu consegui chegar tão rápido ao banheiro. Me tranquei por lá ao som de “estagiário filho da puta”, vou te matar, desgraçado” e “vou comer teu cu aqui mesmo”. Essa última foi do peladão, hahahaha.

Eu realmente tinha conseguido o feito de deixar aquelas pessoas com corações vazios, cheios de nada, se sentirem feliz uma vez na vida. Deveriam me dar uma medalha por eu conseguir aquele feito inédito. Mas não… só tentaram me linxar e colocaram um carimbo gigante na minha carteira de trabalho de demissão por justa causa. Belos companheiros!

Pelo menos levei mais 8 neguinho comigo, hahahahaa. Quem manda serem mal educados com o chefe. Eu não tive culpa alguma na demissão deles. Pena que agora eles me juraram de morte, hahahaha… tô rindo de nervoso. Falei aqui em casa que fui demitido por corte de verba (consegui justificar dizendo que mandaram mais 8 embora, rs) e que as ligações que tenho recebido são meus amigos da faculdade passando trote, hehehehe. Eu supero isso vivão e vivendo, tenho certeza.

É, amigos, descobri com isso que não se pode brincar em serviço mesmo.

:/


E eu comecei o ano com o pé esquerdo

janeiro 4, 2011

Resolução de ano novo: Querido Senhor, em 2010 prometo que vou repassar todos os tipos de correntes da internet que me enviam, porque deve ser isso que tá me fodendo a vida. Obrigado, Bruno.

Tudo começou quando eu e a Luna (namorada) decidimos viajar pra praia no Réveillon. Como ela tinha que prestar Fuvest logo no dia 3 e eu tinha que resolver uns assuntos pendentes, não planejamos viajar pra lugar algum nesse ano novo. Íamos ficar em casa, vendo os fogos de Copacabana na TV enquanto todo mundo estaria enchendo a cara e se divertindo. Legal, né?

Pois bem, lembramos o quão animador seria isso e decidimos viajar pra praia. Queríamos relaxar um pouco e tomamos essa sábia decisão, porque, afinal, praia é um lugar super zen, tranquilo e pacífico nesta época do ano. É bom eu dizer pra nunca repetir isso.

Um amigo nosso havia nos convidado pra ir pro Guarujá passar o ano lá e, até então, não tínhamos nem confirmado nem recusado a proposta. Ligamos pra ele no dia 29 à noite e dissemos que iríamos. Claro, dois dias antes da virada, super inteligente de nossa parte. E mais inteligente ainda: de ônibus.

No dia 30, corremos para o terminal do Jabaquara pra comprar nossas passagens pra noite daquele mesmo dia. Tem que ser muito imbecil – que nem eu – pra achar que no ano novo ia ter passagem de ônibus disponível pra qualquer horário. Óbvio que tava tudo lotado. Ficamos na fila por mais de 1h esperando nossa vez para descobrir que o próximo ônibus livre era o das 20h do dia 31.  Arriscado, mas fazer o quê? TV ou praia? Tédio ou animação? A grana ou a galera? HEHEHE. Várias dúvidas e uma certeza: VAMO QUE VAMO!

Voltamos pra casa até que empolgados e no dia seguinte chegamos às 19h45 à plataforma de embarque. O problema é que, a princípio, o mundo deveria estar querendo viajar pra praia, porque aquela era a maior concentração por metro quadrado de pessoas que eu já tinha visto na vida. Tinha gente de tudo quanto é tipo, idade, gênero e gosto por Crepúsculo espalhados pela rodoviária. Se o inferno na Terra existe, o diabo estaria ali pegando as passagens.

Mas, pra nossa sorte, o ônibus chegou rapidamente. Que alegria! Encostamos na fila pra entrar e o letreiro marcava “Guarujá – 18h”. Pensei, “Hum… este ônibus deve ter saído do Guarujá às 18h e só chegou agora. Deve estar um pouco de trânsito, porque normalmente uma viagem de São Paulo pra lá demora uma hora e não duas. Mas tudo bem. Ainda dá pra chegar a tempo”. Ai! Um dia esses pensamentos vão me matar de tão imbecis que são. Por desencargo de consciência perguntei pra qual horário era o ônibus.

Eu: Moço, esse ônibus é o de qual horário?

Cara da empresa: Das 18h pro Guarujá.

Eu: HE HE HE. Eu sei que ele veio às 18h… mas qual é o horário de embarque dele?

O mesmo FDP: ESSE É PRA QUEM COMPROU PRASSAGEM PRAS 18H. TÁ TUDO ATRASADO.

Eu: O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEÊ?

Cara, se o das 18h tinha acabado de chegar, o meu, que era das 20h, chegaria, no mínimo às 22h. Puta que o pariu, que situação. Passagens compradas e a porra da empresa não tem ônibus suficientes pra levar as pessoas no horário marcado. O que fazer? Nada, né. Sentar e esperar. Ou ficar tirando fotos da rodoviária lotada pra passar o tempo.

O tempo passava e nada dos ônibus chegarem. Quase meia hora depois, às 20h30, chegou outro ônibus. Poxa, se continuasse nesse ritmo com certeza o meu sairia às 22h e, com muita sorte, chegaria ainda antes da meia noite do dia 31. Mas não… Sou eu, né. O que esperar? Logo veio a voz daquele FDP da empresa: “GUARUJÁÁÁÁ – 18h10″.

Não era possível. Além de estarem atrasados, a porra da empresa vende as passagens de 10 em 10 minutos. Que sofrimento pra um coração triste, palmeirense… Depois de 10 minutos depois chegou outro, o das 18h20. Quanto mais eles chegavam, mais eu tinha a certeza de que iria passar a virada do ano dentro de um ônibus. Quer coisa mais legal que isso? Sem estresse, sem perigo de te acertarem com um rojão no meio da cabeça, sem sujar o pé na areia da praia, sem pular ondinhas e ser engolido por uma tsunami devastadora… olha só quantos pontos positivos.

E, assim, os ônibus foram chegando, até às 23h09 (ONZE E NOVE) aparecer o meu, marcado inicialmente pras 20h (OITO). Só 3 horas e 9 minutos de atraso, mas e daí? Naquele momento, o meu maior sonho nem era chegar na praia a tempo (pfff hahahaha) e sim entrar no ônibus pra poder sentar e descansar.

Ingênuo de viagens que sou, nem reparei que essa Coca-Cola e um outro champanhe que vi passando eram pra comemorar a virada de dentro do ônibus mesmo. O pessoal já vem todo preparado. Nesse quesito tenho que aprender muito com esses feras de viagens cagadas e mal planejadas.

O serviço de bagagem, que está incluso no preço da passagem, deve ter sido caixinha de ano novos pra esses viados, porque além dos próprios passageiros terem colocado as bagagens no compartimento de malas, nenhuma pessoa da empresa deu a etiqueta de controle delas. Era cada um por si e salve-se quem puder.

Nosso ônibus saiu precisamente às 23h29 do dia 31/12/09. Devido a um monte de desocupados que achavam que iriam ver o reveillon na praia, ficamos presos no trânsito como todos eles. Filhos da puta. Abrimos a champanhe do cara da poltrona 71, fiquei amigo da senhora da poltrona 2, comemos o frango da mulher da poltrona 12 e brindamos o novo ano dentro do ônibus mesmo. Com contagem regressiva e tudo. Se já tá tudo cagado, tem que se enturmar. E tudo muito compartilhado, como manda o figurino dos farofeiros.

Foi uma experiência até que interessante e acho que todos deveriam saber como é passar a virada do ano em um ônibus com uma galera que não conhece, porque todo dia é dia de fazer novas amizades, não é mesmo, minha gente? Até chegar ao Guarujá foi tudo tranquilo, mas vou deixar vocês adivinharem qual mala foi extraviada e quem foi a pessoa que teve que passar todos os dias só com a roupa do corpo.

a) Luna

b) o cara da poltrona 71

c) a mulher do frango

d) a senhora

e) EU, CLARO

Teeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeemmmmmmpooooooooooo

Bom ano novo e um ótimo 2010 pra vocês também.


Nunca queiram descobrir como vocês nasceram. NUNCA!

agosto 3, 2010

A preguiça bateu forte aqui e eu vou escrever um post de junho praticamente em agosto. Mas faz parte (da minha preguiça, claro).

Festa Junina. Quentão. Vinho quente. Paçoca. Teta de Nega (gente?). Milho cozido. Milho verde. Milho. Bolo de fubá. Bolo de cenoura. Mais paçoca. Mais bolo. Mais quentão e vinho quente. Basicamente, quando você pede um prato de doce ou salgado pros convidados trazerem, a imaginação deles é tanta que não vai além dos alimentos aí citados.

Eu, particularmente, acho a melhor festa do ano, passando fácil o Carnaval, o Natal e o Ano Novo. Não é nem pelo traje, mas pela sensação de felicidade das pessoas. No Natal geralmente alguém esquece de comprar o presente de alguém, no Ano Novo é sempre a mesma queima de fogos e no Carnaval você não tem memória o suficiente pra lembrar do que fez. A Festa Junina tem um significado diferente. É uma alegria pura, bonita, alegre… até as verdades de quem você nunca viu bêbado na vida começarem a sair. Meus amigos, se vocês querem que uma festa seja boa, não dê bebida pra quem você não sabe do que é capaz. Pode ser até aquela sua vizinha que é sua vizinha desde que você nasceu e tem quase 80 anos. Não dê nada. Mande-a comer paçoca, sei lá, mas bebida NUNCA!

A festa, que é algo que fazemos aqui em casa todo ano e reúne os familiares e amigos próximos, estava rolando como manda o figurino caipira: casamento, olha a chuva, a cobra e a formação da quadrilha, que é especialidade da casa (volta da cadeia tio dé e tio rico… saudades S2). Porém, como eu disse antes, uma coisa inesperada aconteceu. Minha vizinha estava mais pra lá do que pra cá com tanto quentão injetado nas veias que resolveu se pronunciar. E pra quê eu fui dar trela? Eu, achando tudo muito engraçado, resolvi incentivar ela a falar bobagens. Descobri que o filho dela curte usar calcinha, que a filha tem mania por grudar chiclete no cabelo (?), que o marido já não comparece há uns 12 anos e que eu fui concebido na casa dela. PERAAAAAAÍ! QUÊ? Como assim? Explica direito isso, caraio! Ela entre um soluço e outro de bêbada contou a história toda. Diós, por que eu fui querer saber como eu nasci? Eu poderia morrer sem saber que eu ia ser uma pessoa extremamente feliz. Talvez isso explique porque essas merdas só acontecem comigo…

Era uma Festa Junina na casa dela em 1986. Meus pais já tinham duas filhas de 4 e 5 anos e as deixaram em casa dormindo e foram pra festa, que, naquela época, ia muito além do quentão e do vinho quente. Você acha que com as ideias atuais dos seus pais eles eram conservadores na sua juventude… tá bom! Meus pais eram locaços da cachuleta, pelo que descobri :( . Segundo relatos da minha vizinha, o bicho começou a esquentar quando eles vieram com um funil e aquelas mangueiras pra dar canjbrina de boca em boca. Meus pais, totalmente responsáveis (adeptos do se beber não dirija, pois somos vizinhos de parede), mataram uma garrafa inteirinha. O que esperar de um casal caliente desses? Ela me contou mais detalhes, que obviamente vou omitir aqui para que eu não tenha que ler sempre isso no blog, mas eles foram para o quarto dela em um determinado momento da festa. Depois dessa farra toda, vou deixar vocês adivinharem em que mês eu nasci, hein. 1, 2, 3, valeeeendo…

Descobri que além de não ter sido planejado, não era querido, nunca fui bem-vindo, ninguém me ama e ninguém me quer. Ou seja, fui um erro para essa sociedade e só estou aqui a passeio mesmo. Se eu fosse vocês tomava cuidado, porque pessoas assim são perigosas. Desde a barriga eu comi o pão que o diabo amassou e que minha mãe digeriu. Fiquei triste, porque desde 1987 estou tomando no cu e tudo só fez sentido agora. O bom é que levo tudo na esportiva. Tô quase indo pras Olimpíadas por tanta esportividade. :(

Saudade do pai e da mai ~ GUILTY

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Mandamento 4: honrar AVISO de pai e mãe

junho 27, 2010

“Toma cuidado no trânsito que depois do jogo do Brasil tem sempre uns bêbados dirigindo que nem louco por aí” - Meu pai, dia 20/06/10, capítulo 4, versículo 3.

Essa é uma daquelas frases que não é aviso, mas rogação de praga pra você não sair de casa. Aquelas do tipo “Leva casaco que vai fazer frio” com um calor de 40 graus lá fora. E aí faz frio. Muito. E você morre congelado só para eles falarem “Tá vendo, eu avisei que ia fazer frio”. Se sua mãe pedir para você não esquecer de levar um cabide um dia, não esqueça. Pode ter certeza que no meio do caminho vão te sequestrar e sua única chance de sobrevivência vai ser desmontar o cabide para enforcar alguém. Algo meio MacGyver.

Para começar essa história toda, voltemos alguns dias. Jogo Brasil x Costa do Marfim em pleno domingão. Todo mundo marcando churrasco, almoço com a família, barzinho pra tomar umas. A Copa do Mundo é legal porque todo mundo vira patriota e se fode de verde e amarelo indo torcer em lugares que você não assistiria uma partida do seu time, por exemplo. É muita gente dando palpite sobre coisas sem relevância. O que eles não entendem é que é Copa do Mundo, caraio. Só acontece de 4 em 4 anos e o mandamento principal é todo mundo ficar quieto, ouvir o Galvão Bueno narrar e pronto.

Mas eu me saí razoavelmente bem. Não fui obrigado a sair com a família, porque assisti na casa de um amigo. Comi uns petisquinhos, mas não bebi nada, porque tava dirigindo. Aquela propaganda de “se beber não dirija” tem alto poder de impacto em mim. Não curto sair por aí achando que não tem outras pessoas no trânsito e eu posso fazer a merda que eu quiser. Mas beleza, isso não vem ao caso agora.

Depois do jogo terminado, ainda ficamos mais um tempo conversando na casa dele e resolvemos sair pra jogar um futzinho no domingo à noite. E eu, que nunca dou carona pra ninguém por preguiça, fui o escolhido da vez pra levar todos pro fut. Aí você já sabe… passa na casa de um pra pegar meião, vai na casa do outro porque tá sem chuteira e vira chofer por 1 dia rodando a cidade. Como estávamos em 6, tivemos que ir em 2 carros.

Como meu grande sonho é por um puta golaço meu no Youtube pra ver se algum time quer me contratar (Bruno, volante, 23 anos… tô aí pra ajudar o time a conquistar os 3 pontos e fazer o que o professor pedir), levei minha filmadora.  Nessa, o protagonista dessa história resolveu começar a filmar no carro mesmo. Campeonato de arroto, merdas cotidianas e a constante tentativa de atacar um ovo no carro do amigo que estava no outro carro. Como muitos falam que eu minto em todas as histórias, esse aqui tem até um vídeo provando que é verdade. Assistam aí embaixo.

O legal do vídeo é ver um :D passar pra :( em questão de segundos hahahaha.

Como deu pra perceber, um filho de uma quenga bateu no meu carro. Quando eu digo que essas merdas só acontecem comigo ninguém acredita. Não era pra eu ter ido de carro e muito menos ser o motorista. Bem no dia que eu saio, um filho da puta faz uma merda dessa. Pra vocês entenderem o acidente: o farol estava fechado e eu parei há uns 2 metros atrás do cara. Ele começou a dar ré do nada, eu tentei buzinar… e POF! De foder. Sempre me orgulhei de nunca ter batido ou de nunca terem batido em mim, mas agora não posso mais dizer isso por conta desse viado. Fiquei puto.

Descemos os 6 dos carros e o cara desceu do carro dele meio que trançando as pernas. Ele veio me cumprimentar (?), disse que estava voltando do Cemitério (??????) e por isso tava meio mal. O detalhe ficou por conta da camisa do Brasil, do bafo de cachaça e da real tristeza dele de que alguém morreu naquele dia.

Como eu não entendo porra nenhuma de carro e um dos que estavam no carro é engenheiro mecânico, deixei por conta dele analisar o estrago. Pra mim só tinha amassado a placa, mas ele disse que o capô deu uma entortada e que daria uns R$1000 o conserto. Fiquei até espantado e resolvi pegar nome, telefone, CPF, MSN, ICQ e o que mais o cara tivesse pra arrumar essa porra de carro. Não poderia ficar no prejuízo com um animal desse. O cara me passou tudo e disse que ia acionar o seguro dele contra terceiros pra pagar. Ele também pegou meu nome e eu tive que repetir umas 5 vezes meu telefone pra ele conseguir entender o número. O melhor foi quando ele perguntou meu nome. Não sei se ele lê o Teletube, se é fã de tiopês, se me reconheceu do blog ou só se o cara encheu o cu de cachaça mesmo. Escreveu um BRUNO BATDE (bruno batida?) que não consegui me aguentar e comecei a gargalhar. Não dava mais… era melhor ir embora porque não ia adiantar nada discutir ali com um bebaço.

Cheguei em casa depois do jogo e meu pai foi vistoriar o carro. Disse que não precisava mandar o cara acionar o seguro e nem fazer Boletim de Ocorrência na Polícia, senão o carro ia ficar 1 mês fora só pra arrumar um desnível no capô que nem era tão grande. Como o carro é dele, acatei a decisão. Se ele quer assim, que assim seja. Só por curiosidade, passei no dia seguinte na oficina pra ver quanto ficaria o conserto. Era realmente perto dos 1000 reais, porque teria que colocar um novo, mas como meu pai disse pra não fazer nada… jóinha! :D

Os dias passaram e o cara me ligou dizendo que eu teria que pagar o conserto do carro dele. Eu, obviamente rindo, perguntei se ele tava ficando louco. Ele respondeu que eu bati na traseira dele e, pra quem não entende de trânsito, quem bate atrás, não importa como seja, é SEMPRE o culpado. Tá certo que nesse caso eu não tive culpa, mas CADÊ A PORRA DO B.O PRA COMPROVAR ISSO? Puta merda! Não fiz B.O. E agora… agora tô extremamente fodido. O seguro do meu carro não estava em dia e além de ter que consertar o meu próprio (ele disse que não ia pagar nada), teria que pagar o dele. Tô decidindo ainda se encho a cara e enfio o carro num poste ou se vejo o Brasil ser eliminado pelo Chile antes pra poder não sentir tanta culpa. PUTA QUE PARIU DE VIDA!

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Minha primeira experiência gay

abril 15, 2010

CALMA, PORRA! Não é nada disso que vocês estão pensando. No final de semana do dia 26 fui a uma balada. Como se só ir a uma balada não fosse gay o suficiente, a casa noturna dançante paulistana era preferencialmente colorida. Parece redundância, mas unir balada e gay na mesma frase, só torna tudo isso mais gay.

Não fui porque sou fã, mas não tem mal algum conhecer algo novo, novos ares, uiiii… ops. Obviamente que também não estava lá sozinho e quem me arrastou pra lá foi a Luna, minha namorada (é legal sempre reforçar isso para que não pensem coisas). Logo na entrada, no meio daquele mundaréu de gente com óculos de plástico sem lente, calça do Zezé di Camargo esmaga-bolas e camisetas com gola V até o umbigo, encontramos alguns amigos dela.

Na porta dei meu nome, mas antes dei aquela pigarrada pra voz ficar grossa: “Oi.. meu nome é.. é… é… Bruno e eu tô.. hummmmm.. tô na lista”. Sei lá qual foi o sentido disso, até porque quem trabalha ali deve ver muito “macho” indo lá pra “conhecer”. Odeio aspas. Mas, enfim, agarrei a Luna e subi as escadas. Esse era o nosso acordo. Eu só iria se ela não desgrudasse de mim.

Entrei no recinto igual a policial quando dá batida em baile funk: olhando para todos os lados e desconfiando de tudo. Situação normal. Em poucos minutos comecei a ficar nervoso, porque o lugar enchia cada vez mais de gente. E aí, meus amigos, aqueles esbarrõezinhos sem querer já estavam começando a me deixar extremamente puto. Era um passando por aqui, outro por ali. Porra, qual é o problema de ficar em um lugar parado, caraio? Quanto mais a situação se agravava, mais eu deixava o cotovelo no peito de quem passava. Só pra dar aquela distância necessária. TOMARNOCU! Motivos:

1. É zoado

2. Faz favor?

3. Não sou obrigado.

Em meio a vários “uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu” a cada nova música da Lady Gaga ou da Beyoncé, a noite foi passando. Sério: quem comemora quando toca uma música? Querido diário, nessa minha experiência descobri que Lady Gaga é tipo o gol no mundo dos gays. Ou até mesmo 0 Flamengo e o Corinthians deles.

No instante que começou a tocar Telephone, a Luna começou a dançar feito maluca. Frenética. Ela fica assistindo os vídeos no Youtube só pra aprender as coreografias e lá era o lugar ideal para por em prática seus dias de árduo treinamento. Enquanto isso acontecia, eu ficava de lado assistindo. Foi neste exato instante que me cutucuram. Caras, meu cu fechou. Pô, todo mundo que eu tinha conhecido estava dançando à minha frente… e não atrás de mim. Quem poderia ser? Milhões e milhões de possibilidades se passaram na minha cabeça em frações de segundos. Olhei para trás e vi uma menina e um menino. Tava escuro e sou míope, logo pensei no pior. Já virei o olho achando que ela queria me agitar pro cara e rolar aquela intensa pegação masculina. Ufa, pelo menos não foi isso.

- Oi, você posta no @Teletube, né? Você não é o @pagalanxe?

GELEI! Minhas pernas começaram a tremer e minhas respostas não saiam perfeitamente coerentes. Porra, eu vou pra baladas, barezinhos, shopping, shows e o caraio a 4 e nunca ninguém me reconheceu ou veio falar se eu era de blog, Orkut, Netvibes, Vila Dos Computador… NADA! Aí pela primeira vez que vou numa balada gay me reconhecem no escuro. Pensei: Deus tá fazendo câmera escondida comigo só pra olhar minha cara de desespero. Deve ser isso.

- Sou. Nooooossa, como me reconheceu (VOZ MUITO GROSSA HARD MODE ON)? HEHHEHEHE

- Ah, eu vi você de longe e reconheci.

- É, então, mas eu só tô aqui porque é aniversário de um amigo da minha namorada que tá ali ó, tá vendo? Aquela é minha namorada, HEHEHEHE.

Já adiantei isso pra evitar um constrangimento maior do tipo “VI O @PAGALANXE NUMA BALADA GAY ONTEM HEHEHEHE. ELE TAVA SUPER SOLTO. ARRASOU, BEE!” no Twitter ou nas outras redes socialites. Coisa que não aconteceu, porque sou precavido e remediado.

Conversamos e quando a música acabou, uma drag subiu no palco sei lá porque pra falar com as pessoas. E, mais sei lá ainda, todos tavam curtindo isso. Perguntou quem era hetero, quem tava lá pela primeira vez e essas curiosidades que todo mundo quer saber (alô?). Fiquei na minha, obviamente, e ela chamou um hetero no palco que levantou a mão dizendo ser hetero. Ela pediu para ele dar um beijo num gay. Como o cara se recusou, a drag emendou um “Num vem com homofobia pra cá não, Dourado. Aliás, gente, votem no Dicesar porque ele tá no paredão. Coloquem créditos no celular e vamos com força eliminar aquele ogro do Dourado”. O pessoal foi a loucura.

Nesse momento, um corno passou e me deu um beliscão na minha nádega. Foi a gota d’ agua. Gritei: “VAI TOMAR NO CU!” Sério, se eu tivesse uma arma ou uma faca, tinha dado um soco na boca dele. Silêncio total. Olhares fulminantes de todo o recinto se dirigiram pra mim como se eu tivesse jogado minha filha pela janela de um prédio. Sem brincar, que medo! Eu só tinha sentido algo assim quando um amigo gay na faculdade começou a correr atrás de mim na sala pedindo pra que eu abaixasse as calças. Dica: com fogo e pessoas xiitas não se brinca.

Decidi que era hora de sair de fininho e fingir que não era comigo o momento de silêncio. Fiz voz diferente pedindo licença e tentei sair tranquilamente do local. Tomei umas porradas e uns agarrões meio esquisitos mas saí no lucro.

PRA NUNCA MAIS!

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